Polícia
PUBLICADO EM 28/02/2015 ÀS 08:55
Brasil é o país que mais mata no mundo; diz Anistia Internacional
Segundo o relatório do instituto que analisou a violência em 160 países, o Brasil registra 130 homicídios por dia
Foto: Arquivo/TodoSegundo
Do Todo Segundo com CBN

Mais de 50 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil. São pelo menos 130 homicídios por dia, o que faz do país o que mais mata no mundo em números absolutos. Os dados constam do relatório divulgado na terça-feira (24), pela Anistia Internacional sobre a violência em 160 países.

O documento aponta ainda que mais de 90% das vítimas são homens jovens e negros e entre os principais fatores para a construção desse quadro estão a pobreza, o racismo e o modelo militarizado de polícia. A sensação de impunidade também é um incentivador, já que 85% dos homicídios não são solucionados no Brasil. A Anistia Internacional destaca ainda que, apesar dos avanços econômicos, em 2014, houve um agravamento da crise da segurança pública no país, como frisa o assessor de Direitos Humanos da organização no Brasil, Maurício Santoro.

‘Um país que tem tantos assassinatos, claramente, tem um problema muito grave. Mesmo que a situação não piore ao longo dos anos, já é uma tragédia do ponto de vista humanitário.’

Além do alto índice de homicídios, o relatório cita como os principais fatores para a crise no Brasil a violência policial, registros de tortura e a falência do sistema prisional. A Anistia lembrou, por exemplo, os casos de Claudia Silva Ferreira, baleada por policiais em uma favela da Zona Norte do Rio e, depois, arrastada por uma viatura; das vítimas dos confrontos em manifestações que antecederam a Copa do Mundo; do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, torturado e assassinado por policiais do Rio; e dos cerca de 80 detentos mortos na penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, em 2013 e 2014.

Segundo o relatório, o Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo e em situação precária. Sete em cada 10 presos voltam a praticar crimes. Para o sociólogo Ignácio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o atual cenário é resultado do descaso das autoridades. Ele citou políticas públicas que precisam ser adotadas.

‘Como as mortes afetam, sobretudo, a parcela mais desvalorizada da sociedade, não foram devidamente combatidas. Hoje, mais de 90% dos homicídios não resultam em punição.’

O documento da Anistia Internacional lembrou ainda dos casos de homofobia e da violência no campo, apontando a necessidade da demarcação de terras e da presença do Estado para reduzir os conflitos, como os ocorridos nos últimos anos no Mato Grosso do Sul e no Maranhão. Nesse último, cinco pessoas foram mortas em disputas de terra entre janeiro e outubro de 2014. Além disso, o relatório destaca a importância da Comissão da Verdade, que investigou casos de tortura durante a Ditadura Militar.



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