Perfil
Graduação em História pela Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL Campus III Palmeira dos Índios (2013 - 2016).Com experiência na área de História, atuando principalmente nos seguintes temas: história indígena, poder e conflito territorial.
Luan Moraes
PUBLICADO EM 23/07/2017 ÀS 14:11
Palmeira dos Índios: o ressurgir
Afinal, vivemos o resgate ou o recomeço da nossa cultura?
Que as festas juninas são um dos principais atrativos do Nordeste, não restam dúvidas. Mas, de que forma Palmeira dos Índios tem se inserido nesse contexto nos últimos meses? Para uns, as festas geram despesas desnecessárias quando se precisam de investimentos urgentes em setores específicos (educação e saúde, por exemplo); para outros o momento, além de oferecer diversão a população, movimenta o comércio.

Para além das opiniões, “O São João do Povo”, trouxe consigo a alcunha de resgate da cultura de Palmeira dos Índios. E isso, o "resgate", já uma constante em comerciais de rádio e nas redes sociais. Essa ideia tem até certo sentido, se levarmos em conta que tradições não desaparecem de forma rápida.

O problema está em deixá-las no baú. E ao serem retiradas de lá, percebemos que não se adaptam tão facilmente aos tempos da mensagem instantânea e da selfie. Esses cerimoniais (as festas) necessitam ser ajustados no hoje, e foi aí que o governo se fez presente. Da mesma forma que o carnaval, as festas juninas ocorreram.

Propaganda é a palavra da vez. E disso não temos dúvida alguma. A ideia de uma cultura estar sendo resgatada remonta a de que ela esteve abandonada. Por certo que sim, se não tivéssemos levado em conta o fator humano no processo de reorganização das festividades.

O que estamos dizendo, é que não existe resgate algum!

Calma, não estamos criticando, apenas esclarecendo as coisas. Pois, o que ocorre em Palmeira dos Índios é um recomeço. A dita cultura palmeirense estava abandonada e agora é passada a limpo e vertida em vinho novo.

Cada elemento do passado que é retomado, serve como elo entre o passado e o presente. E esse movimento só ocorre por impulso da propaganda (levada a sério pelo governo) e pela participação do povo nesse emaranhado dinâmico que é ocasionado pela modificação constante dos padrões de consumo, onde o que é considerado ultrapassado é deglutido e então vomitado como novo.

Fica a reflexão.

Luan Moraes dos Santos
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