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Edson Alves
PUBLICADO EM 18/05/2017 ÀS 06:37
Salário mínimo de R$ 5 mil: o que aconteceria com o Brasil?
O reajuste do piso salarial nacional é feito com base na inflação e aumento do PIB dos dois anos anteriores
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O baixo salário mínimo no Brasil em relação ao custo de vida no país não é novidade. Segundo o Dieese, enquanto a remuneração base é de R$ 937, o valor necessário para cobrir a Cesta Básica de Alimentos em abril de 2017 foi de R$ 3.899,66. A diferença é gritante, porém já esteve pior: na década de 1990, o mínimo chegou a representar 10% da renda suficiente.

O aumento está constantemente em discussão, mas o que aconteceria com o país caso esse valor saltasse para R$ 5 mil? O salário mínimo indica o poder de compra da população, “quanto mais alto, mais desenvolvido é o país, melhor a qualidade de vida e distribuição de renda”, afirmou o economista e professor da PUC, Claudemir Galvani.

A Austrália está na lista dos melhores países para se viver e tem a base de remuneração de AUD 2.696,20 (R$ 6.259), uma das mais altas do mundo. Como ferramenta de combate à pobreza, é importante que o salário mínimo seja elevado até chegar a um patamar, depois ele passa a depender da produtividade. “Economia que não cresce, se aumenta o salário mínimo, aumenta o custo de vida” afirmou Galvani. O reajuste do valor do salário mínimo para R$ 5 mil, considerando a condição atual da economia brasileira, causaria “um grande aumento do desemprego e da informalidade”, avaliou Gustavo Grisa, economista especialista do Instituto Millenium. “Há toda uma indexação da Previdência Social e de outros benefícios que tornaria essa prática impossível. Teríamos que ter uma economia quatro ou cinco vezes mais produtiva” acrescentou Grisa.

Outra consequência é a perda da competitividade dos produtos nacionais em relação aos importados, citou Galvani. No Brasil, cerca de 50% dos trabalhadores recebem até um salário mínimo, segundo o economista. O reajuste do piso salarial nacional é feito com base na inflação e aumento do PIB dos dois anos anteriores, o que para Galvani é o sustentável já que o país vive um momento de crise. “Não significa que o ano anterior foi bom, mas se mantém o poder de compra. Se o salário mínimo comprava cinco sacos de arroz há dois anos, continua comprando cinco sacos de arroz”, explicou.

A controvérsia do aumento “Um salto para R$ 5 mil é uma utopia. Mas aumenta o mínimo, aumenta o custo de vida não é uma ciência exata,” afirmou o professor do departamento de Ciências Contábeis da UNB, Roberto Bocaccio.

Sempre que se fala em reajuste do mínimo, continuou o professor, existe essa “choradeira”, principalmente da classe média. “Pessoas dizem que vão dispensar a empregada (…) que empresas vão quebrar, etc”, disse Bocaccio. “Mas o aumento do mínimo tem efeito benéfico também. Quem ganha nessa faixa gasta tudo em consumo, ou seja, o valor é injetado na economia e estimula a produção de certos setores” explicou. De acordo com o professor, porém, o aumento precisa acompanhar o crescimento do país.

 “A política atual de valorização do mínimo é sustentável. Poderia refinar um pouco trocando o aumento do PIB pelo aumento da produtividade, mas está muito melhor do que a regra de décadas atrás”, considerou Bocaccio. A expectativa de alcançar um balanço na relação remuneração e custo de vida, “na melhor das hipóteses”, é para cerca de 30 ou 40 anos, na opinião de Grisa. “Produtividade depende muito de condições regulatórias, infraestrutura e grau de educação dos trabalhadores”, concluiu.

Por: Thaís Sabino (@thaissabino)/Yahoo Notícias



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